Susan Polgar não jogava apenas xadrez. Ela dominou. Nascida em Budapeste em 1969, esta norte-americana nascida na Hungria tornou-se a primeira mulher a conquistar o título do Campeonato do Mundo do ponto de vista de um jogador masculino, derrotando a chinesa Xie Jun em 1996. Mas a sua história não se trata apenas de troféus. Trata-se de uma recusa em aceitar regras que pareciam destinadas a mantê-la afastada. Em 1999, a FIDE retirou-lhe a coroa porque ela não concordou em cumprir as condições durante a gravidez. Ela perdeu o título. Ela continuou lutando. E ela acabou construindo um império em torno do jogo.
Um prodígio nascido no conselho
O talento de Polgar não foi uma descoberta tardia. Foi imediato. Aos quatro anos, ela venceu o campeonato sub-11 de Budapeste com um placar perfeito de 10-0. Aos doze anos, ela estava arrasando a seção feminina de menores de 16 anos no Festival Mundial de Xadrez Juvenil da FIDE de 1981, em Embalse, Argentina.
O establishment do xadrez não sabia como lidar com ela. Em 1984, ela conquistou o título de Mestre Internacional. Depois veio a polêmica. No final de 1986, a FIDE inflou artificialmente as classificações de cada jogadora em 100 pontos. Todo mundo ganhou um impulso. Todos, exceto Polgar.
Por que? Porque se não tivessem feito isso, ela teria sido a mulher mais bem cotada do mundo em janeiro de 1987. Em vez disso, uma jogadora russa ocupou o lugar. A mudança causou uma inflação nas classificações que ainda ecoa hoje. Mas Polgar não se importou com a matemática. Ela se importava em vencer.
Ela jogou como titular da seleção feminina húngara ao lado de suas irmãs, Zsófia e Judit. Juntos, eles conquistaram o ouro na Olimpíada de Xadrez de 1988, em Tessalônica. Eles fizeram isso de novo em 1990, em Novi Sad. Em 1991, Polgar ganhou o título de Grande Mestre. Ela se tornou, sem dúvida, a maior jogadora que o esporte já viu.
A loteria que roubou um fósforo
Judit Polgar caminhava para o campeonato mundial masculino. Então Susan se concentrou no circuito feminino. Ela venceu o Torneio de Candidatas Femininas de 1992 em Xangai. Isso a qualificou para desafiar Xie Jun.
Mas primeiro ela teve que passar por Nana Ioseliani, da Geórgia. Ioseliani derrotou a ex-campeã Maya Chiburdanidze. A partida contra Ioseliani foi um banho de sangue. Aconteceu em Mônaco, em 1993. Oito jogos. Duas vitórias cada. Três empates. Eles foram para uma extensão de dois jogos. Dividir. Outra extensão de dois jogos. Dividir novamente.
A FIDE decidiu usar um sorteio para desempatar. Ioseliani ganhou na loteria. Susan Polgar só teve dor de cabeça.
Mesmo assim, ela levou a Hungria à prata nas Olimpíadas de 1994 em Moscou. Judit estava jogando no time masculino naquele ano. Susan e Zsófia carregaram a carga do lado das mulheres.
Reivindicando a Coroa na Espanha
Susan se casou com Jacob Shutzman, um consultor de informática americano, em 1994. Eles se mudaram para a cidade de Nova York. Eles abriram um clube de xadrez privado. A rotina continuou. Ela precisava de uma vaga de desafiante em 1996.
Ela dividiu o primeiro lugar no Torneio de Candidatos de 1994 em Tilburg. Isso levou a um playoff contra Chiburdanidze. A partida foi em São Petersburgo em 1995. Polgar venceu. Quatro vitórias. Três empates. Sem perdas.
Depois veio Jaén, na Espanha, em 1996. Xie Jun foi o campeão. Polgar era o desafiante. Não estava limpo. Não foi fácil. Mas Polgar ficou com o título. Seis vitórias. Cinco empates. Duas derrotas.
Ela sentou-se com o marido para escrever sua autobiografia, Queen of the Kings Game, publicada em 1997. Por um momento, ela tinha tudo.
Despojado do Título
A FIDE não conseguiu financiamento para o campeonato feminino em 1998. Polgar planejava ter um filho. Ela pediu um adiamento. Eles negaram.
Mais tarde, apareceu o financiamento. A partida foi remarcada para a China em 1999. As condições estavam definidas. Polgar recusou-se a concordar. Ela foi destituída de seu título. Ela não jogou. Ela foi embora.
O retorno e o legado
Ela não desistiu. Ela voltou ao jogo ativo em 2003. Em 2004, ela estava jogando no primeiro tabuleiro da seleção feminina dos Estados Unidos na Olimpíada de Xadrez em Calvià. A equipe ficou com a prata. Polgar levou o ouro pelo desempenho individual.
Ela estendeu sua seqüência recorde para 56 jogos consecutivos nas Olimpíadas sem derrota. Esse é um nível de consistência que quebra a mente humana. Em 2006, ela venceu a Copa do Mundo Feminina da FIDE, derrotando a alemã Elisabeth Pähtz na final.
Mas Polgar percebeu que vencer jogos não era suficiente. Ela precisava mudar a cultura.
Em 2004, ela formou a Fundação Susan Polgar. Sua missão era simples: promover o xadrez entre as meninas dos Estados Unidos. Eles patrocinam torneios. O anual Susan Polgar National Invitational for Girls concede bolsas escolares integrais. Dinheiro de verdade. Oportunidades reais.
Ela começou um blog em 2005. Polgar Chess Daily News and Information. Ela concorreu ao conselho executivo da Federação de Xadrez dos Estados Unidos em 2007. Ela venceu. Ela se tornou a primeira presidente.
Mais tarde naquele ano, ela se tornou diretora do Instituto Susan Polgar de Excelência em Xadrez da Texas Tech University em Lubbock.
Ela não apenas jogou o jogo. Ela construiu a infraestrutura. Ela forçou o sistema a se adaptar. Ela perdeu um título porque não se curvou. Ela ganhou um campeonato porque se recusou a parar. E agora, a próxima geração joga em tabuleiros que ela ajudou a limpar.
A sequência de 56 jogos permanece. A base permanece. A disputa pelo título permanece, tecnicamente não resolvida pela lógica original da FIDE. Mas olhe para o quadro hoje. Veja as meninas ganhando bolsas de estudo. Veja as mulheres jogando no primeiro tabuleiro pelos seus países.
Polgar não queria apenas ser o melhor. Ela queria ter certeza de que outra pessoa também poderia estar. Esse é um tipo diferente de xeque-mate.



























