Os zangões têm vidas interiores

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Eles mostram a língua quando estão felizes. Acontece, pelo menos.

Durante muito tempo, pensamos que as abelhas eram apenas robôs eficientes. Pequenos drones zunindo, coletando dados, ignorando todo o resto. Novas pesquisas sugerem que eles têm experiências subjetivas. Não são exatamente emoções humanas, mas algo real.

Os insetos não têm rostos moles como nós. Nenhuma sobrancelha para levantar de surpresa. Sem sorrisos. Seus corpos são cascas duras. Então, como sabemos se eles sentem alguma coisa? Andrew Barron, da Universidade Macquarian, em Sydney, decidiu descobrir.

Ele trabalhou com abelhas de cauda amarela (Bombus terrestris ).

Aqui está a configuração: vídeo de alta resolução. Três líquidos. Uma delas era água com açúcar. Os outros dois eram sal e quinino. Amargo e salgado. Desagradável.

Quando as abelhas provaram açúcar? Eles mostraram a glossa (essa é a língua peluda). De novo e de novo.

Quando provaram sal ou quinino? Eles limparam a boca. Balançaram a cabeça. Um claro gesto de “não, obrigado”.

Interpretação fácil: eles gostam de açúcar. Eles não gostam de coisas amargas.

Mas Barron não estava convencido de que essa fosse toda a história. Talvez tenha sido apenas uma reação química. Um reflexo. Para provar que era um estado interno, ele teve que mexer com a fome e a sede deles.

Ele desidratou as abelhas expondo-as ao calor de 40°C. 104°F.

Então ele lhes ofereceu água salgada.

Normalmente, eles odeiam. Mas desidratado? Eles exibiram suas glossas repetidamente.

“É porque o seu estado interno mudou… é isso que pensamos que estamos vendo nas abelhas.”

Pense nisso na próxima vez que terminar uma corrida. Você pega uma bebida esportiva. O gosto é horrível se você estiver satisfeito e descansado. Tem gosto de vida se você estiver com sede. A abelha não está apenas reagindo à molécula. É avaliar o valor.

Para separar “querer” de “gostar”, a equipe usou produtos químicos.

Primeiro, dopamina. Nos humanos, a dopamina impulsiona o desejo de buscar recompensas. Quando as abelhas receberam uma dose de dopamina, a sua motivação para encontrar comida pode ter aumentado, mas a protrusão da língua não aconteceu. Eles não gostavam mais do sabor, mesmo que quisessem mais a comida.

Depois usaram endocanabinóides. Este produto químico está ligado à parte “gostar” do prazer nos mamíferos.

Bum. As línguas saíram com mais frequência. O sinal de prazer aumentou.

Então sim, eles sentem. Ou melhor, processam o mundo com uma camada de subjetividade. Não é robótico.

É uma emoção humana? Provavelmente não.

Ralph Adolphs, da Caltech, aponta o óbvio: expressões faciais não criam emoção. Os atores os fingem. Pessoas com paralisia facial ainda sentem tristeza e alegria.

“As abelhas têm emoções de abelha”, diz ele. Não é nosso. Fiação diferente, saída diferente. Mas a evidência é sólida. Eles representam valor de forma flexível.

Jonathan Birch, da London School of Economics, vê aqui um panorama mais amplo. Há séculos que subestimamos os bugs. Este estudo é raro. Ele separa querer de gostar. Mostra que ferramentas de alta tecnologia, como câmeras superlentas, podem revelar o que nossos olhos não perceberam.

O mundo não é apenas uma coleção de entradas cegas e saídas programadas.

Mesmo para um inseto com máscara no rosto.