Coloque um airbag em órbita

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Um satélite chamado airbag parece errado. Mas é exatamente isso que um grupo de físicos acaba de propor.

Eles querem construir StormWall. Não é uma parede de concreto ou tijolo. Uma parede de plasma. Latas gigantes de gás lançadas em órbita alta para inchar e impedir que supertempestades solares fritem as nossas redes e matem os nossos astronautas.

Especialistas dizem que pode funcionar.

“É bastante viável”, argumentam os pesquisadores.

Estamos no meio da fase de pico do ciclo solar agora. O sol está inquieto. Já expeliu dezenas de ejeções de massa coronal (CMEs). Vemos lindas luzes. Aurora boreal. Todo mundo adora as fotos. Mas por trás das lindas luzes está um problema muito perigoso.

A cada centenas de anos, o sol fica realmente furioso.

Pense em 1859. O Evento Carrington. Foi uma tempestade tão forte que provocou incêndios telegráficos e lançou faíscas das máquinas para as mãos das pessoas. Se essa mesma tempestade atingisse a Terra hoje? Estamos com problemas. Todo satélite em órbita baixa fica escuro. A internet para. As redes elétricas derretem. Os astronautas fora da ISS recebem uma dose letal de radiação. Colapso total da infraestrutura.

Atualmente não temos escudo. Apenas avisos. Esperamos pela previsão e depois nos escondemos atrás de equipamentos reforçados esperando o melhor. Isso parece fraco.

Um novo estudo publicado no Space Weather oferece uma tática diferente. Defesa ativa.

Aqui está o plano. Lance seis satélites. Cada um deles tem aproximadamente o tamanho de um ônibus urbano. Eles ficam em órbita geossíncrona – 36.000 quilômetros acima. Isso está muito acima da Estação Espacial Internacional. Eles ficam pendurados lá. Não fazendo nada. Até que chegue o grande.

Quando a tempestade atinge esses satélites liberam uma carga útil de gás. Bário. Lítio. Sódio. Talvez cálcio. Imagine doze caminhões cheios de petróleo despejados no espaço de uma só vez.

O gás se acumula na frente da magnetosfera da Terra. O sol bate nele. Ele ioniza. Instantaneamente você obtém uma enorme barreira de partículas carregadas. Esta parede amortece o impacto. Ele desvia parte da explosão. Isso reduz a intensidade.

Daniel Welling, da Universidade de Michigan, gosta da analogia do airbag. E faz sentido. Você não para o acidente de carro com um airbag. Você apenas sobrevive ao impacto com menos ossos quebrados.

StormWall é inspirado na própria natureza. Quando as tempestades solares nos atingem, a nossa magnetosfera natural enfraquece. Mas os íons de oxigênio da atmosfera ficam presos ali. Eles se acumulam no lado ensolarado da Terra formando uma bolha protetora. StormWall apenas finge que a bolha já existia antes do acidente.

Funciona na simulação.

A equipe testou esse conceito no evento de maio de 2024. A “Tempestade do Dia das Mães”. Um problema desagradável que causou a perturbação geomagnética mais grave desde 2011. Se o StormWall estivesse ativo, o impacto teria sido 84% menor. Isso é enorme.

Brian Walsh, da Universidade de Boston, diz que a física é verificada. “A quantidade de massa que precisamos”, disse ele. “As capacidades de lançamento.” Tudo isso é possível com os foguetes de hoje.

É barato? Não.

Os satélites seriam pesados. Mais pesado do que a maioria das coisas que lançamos. Você precisaria de grandes foguetes para empurrá-los até lá. Pense na nave estelar da SpaceX. O preço pode estar na casa dos bilhões de dólares. Além disso, essas latas não são reutilizáveis. Quando estiverem vazios, você precisará de mais gasolina ou de uma nova missão. Um e pronto.

Essa é a desvantagem. Um escudo descartável que custa bilhões para ser instalado.

Mas qual é o custo de não instalá-lo?

Só a tempestade do Dia das Mães custou aos agricultores norte-americanos cerca de 500 milhões de dólares em equipamento GPS avariado. Os agricultores precisam dessas coordenadas para colher os campos. Uma supertempestade ao nível de Carrington poderia custar à economia global até 3.400 biliões de dólares. Trilhões. Com T maiúsculo

Por que não apenas correr o risco?

Porque não há outras opções. Não há fivelas mágicas para usar.

Existem preocupações com certeza. A geoengenharia sempre traz suspeitas. Poderia despejar tanto bário em órbita prejudicar a nossa atmosfera? A equipe diz que não. O vento solar irá dissipar o gás rapidamente. Ele se dissipa.

Mas mesmo assim, especialistas fora do estudo concordam que isto é ousado. E inteligente. Allison Jaynes, da Universidade de Iowa, chamou-o de “altamente inovador”.

Então aqui estamos nós. Sentado na nossa aldeia com o rio subindo. Podemos prever o dilúvio. Ou podemos construir a barragem.

A tecnologia existe. A necessidade é real. A questão não é se funcionará. A questão é se temos vontade de construir um escudo para todo o planeta, apenas por precaução.

Talvez esperemos.

Ou talvez lancemos.