Medicamentos para perda de peso não licenciados vendidos como prêmios nas redes sociais

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Os promotores do mercado oculto estão a explorar plataformas de redes sociais, incluindo o WhatsApp e o Telegram, para distribuir medicamentos potentes e não licenciados para perda de peso através de competições enganosas de “brindes”. A prática envolve a oferta de substâncias como a retatrutida – um medicamento experimental ainda não aprovado para utilização em qualquer lugar – como prémios a clientes existentes e novos recrutas.

Táticas de marketing perigosas

Os promotores estão a utilizar técnicas agressivas de marketing digital, tais como contagens decrescentes e rifas, para pressionar os indivíduos a adquirir produtos farmacêuticos não regulamentados. Um grupo do WhatsApp, identificando-se falsamente como “peptídeos 2 da BioUK Research”, anunciou recentemente uma “pilha definitiva de peptídeos” incluindo retatrutida, juntamente com outras substâncias não aprovadas, como canetas Glow (GHK-Cu) e melanotan II. O sorteio exigia que os participantes adicionassem amigos ao grupo e seguissem as contas de mídia social do vendedor para participar. Um vencedor aleatório foi selecionado através de uma roda digital, garantindo a distribuição rápida de medicamentos não regulamentados.

Substâncias não aprovadas e riscos legais

A Retatrutida permanece em testes clínicos, tornando ilegal sua venda sem a devida autorização. As canetas luminosas, comercializadas para reparação da pele, contêm peptídeos de cobre que, quando injetados, não foram aprovados pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA). Melanotan II, um peptídeo de bronzeamento não aprovado, traz efeitos colaterais potencialmente graves e sua venda ou fornecimento é ilegal no Reino Unido.

De acordo com a legislação do Reino Unido, estas substâncias são medicamentos rigorosamente regulamentados, exigindo uma receita válida para distribuição legal através de farmácias licenciadas. O mercado não regulamentado ignora as verificações de segurança, os controles de qualidade e a supervisão médica, expondo os compradores a sérios riscos à saúde.

Vendas de drogas disfarçadas

Empresas como a “BioBlue Cosmetics”, também operando como “BioBlue Fitness”, obscurecem ainda mais as vendas de medicamentos, disfarçando-as de programas de exercícios. Os administradores usam linguagem codificada, como “Fique em forma com Rita”, para se referir a diferentes dosagens de retatrutida. Isto permite-lhes explorar sistemas de pagamento legítimos destinados a serviços de treino físico.

Preocupações de especialistas

Emily Rickard, pesquisadora da Universidade de Bath, observa que brindes e táticas de pressão substituem a cautela, incentivando comportamentos de risco com medicamentos não licenciados. Piotr Ozieranski acrescenta que estas “técnicas de marketing digital altamente problemáticas” estão a promover activamente injectáveis ​​perigosos como “prémios”, minando a supervisão clínica.

Respostas da plataforma

O Telegram afirma que a venda de medicamentos ilegais viola seus termos de serviço e que tal conteúdo é removido quando descoberto. A Meta, dona do WhatsApp, confirmou que contas que violarem suas diretrizes de mensagens serão banidas. No entanto, os vendedores continuam a operar excluindo mensagens e renomeando a marca para evitar a detecção.

A venda não regulamentada destes medicamentos representa riscos significativos para a saúde e contorna as normas legais de segurança. Os consumidores que procuram soluções para perda de peso devem contar com profissionais de saúde licenciados e medicamentos aprovados para evitar produtos perigosos e não verificados.