Arrotos de metano nas vacas podem ser causados por micróbios difusos

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Eles não são apenas arrotos. Bem, tecnicamente sim, são arrotos. Mas olhar para eles como simples flatulência erra totalmente o foco. Ele sente falta do caos microscópico que acontece dentro do animal.

A maioria das pessoas presume que são as próprias vacas que geram todo aquele metano. Você conhece o cheiro. Esse potente gás de efeito estufa preso na atmosfera é oitenta vezes mais agressivo no aquecimento do planeta do que o dióxido de carbono. O gado ruminante, como o gado, libera-o constantemente. A decomposição da matéria vegetal em pântanos também faz isso. Mas dentro de uma vaca, uma história diferente se desenrola.

Nas profundezas do rúmen – aquela enorme primeira câmara do trato gastrointestinal dividido em quatro partes da vaca – a vida fica estranha. Fica confuso.

Descobertas recentes sugerem que o culpado pode não ser a bactéria para a qual todos apontam o dedo. Pode ser um grupo de organismos unicelulares chamados archaea.

Vamos fazer uma pausa aí. Archaea não são bactérias. Eles não são fungos. Eles representam um dos três domínios fundamentais da vida na Terra, juntamente com plantas, animais e outros insetos. Arqueanos (a forma singular) são procariontes. Eles não têm núcleo celular. Você geralmente os encontra em lugares que deveriam estar mortos. Água super salgada. Fontes termais ácidas fervendo. Ambientes hostis que dissolveriam a maioria das outras coisas. No entanto, eles prosperam. E agora, as evidências apontam para que eles se escondam em estômagos de vacas.

O mecanismo é sutil.

Dentro desse ambiente intestinal, o gás hidrogênio se acumula. Este não é qualquer gás. O hidrogênio é o elemento mais leve. Um próton. Um elétron. Simples. Incolor. Inodoro. Mas inflamável. E vital para a degradação química que acontece no rúmen. Quando a fibra se decompõe, o hidrogênio é um subproduto.

Normalmente, outros micróbios comem esse hidrogênio. Isso mantém a pressão baixa. O processo de fermentação ocorre suavemente. A vaca continua feliz.

Mas aqui está o problema. Os arqueanos consomem esse hidrogênio de uma forma que produz metano. É uma troca. Eles pegam os átomos de hidrogênio, ligam-nos ao carbono e sai CH4. A fórmula química não é negociável. Um carbono. Quatro átomos de hidrogênio. Amarrado com força.

Isso acontece em células individuais. Pense em quão pequenas são essas unidades. Muito pequeno para o olho nu. Apenas um saco aquoso cheio de organelas cercado por uma membrana. No entanto, estas pequenas estruturas impulsionam a química do nosso abastecimento alimentar.

Os cílios podem estar movimentando líquido. Os órgãos da indústria de laticínios podem estar preparando leite para distribuição. Mas o verdadeiro motor é microbiano. Microbiologistas estudam essas coisas por uma razão. Essas interações são importantes. Eles infectam, ajudam, destroem, constroem.

Alguns podem ser protozoários. Organismos unicelulares que entram na família taxonômica de coisas que causam doenças ou simplesmente ficam no seu intestino. Amebas e paramécios. Invasores invisíveis. Alguns são ruins para nós. Alguns são essenciais para a vaca.

Classificamos as coisas em caixas organizadas. Família. Gênero. Espécies. Mas a natureza ignora as caixas. Um bovino — seja uma vaca (fêmea), um touro (macho) ou um novilho criado para obter carne ou leite — não se importa com nossos rótulos. Come grama. Ele hospeda micróbios. Ele exala metano.

A indústria está pronta para olhar além da vaca? Talvez ainda não. Mas os dados estão lá. Nos micróbios difusos. Nos arqueanos que vivem onde ninguém olha.

O calor retido pela atmosfera não é apenas uma política abstrata. É o resultado da ligação do hidrogênio ao carbono em um local escuro e quente dentro de um animal pelo qual você pode passar todas as manhãs. O gás sobe. O planeta aquece. E continuamos tentando descobrir como parar o arroto sem matar o hospedeiro.