O código universal do cérebro: como o movimento, a linguagem e o pensamento podem compartilhar raízes

9
O código universal do cérebro: como o movimento, a linguagem e o pensamento podem compartilhar raízes

Os neurocientistas e os cientistas cognitivos estão a abordar uma das questões mais fundamentais neste campo: como é que o cérebro humano processa uma gama tão ampla de pensamentos – desde simples ações motoras até ao raciocínio abstrato complexo? Um novo livro, The Neural Mind, de George Lakoff e Srini Narayanan, propõe que a chave está na história evolutiva do cérebro. Os autores sugerem que os mesmos circuitos neurais originalmente desenvolvidos para o movimento físico foram reaproveitados ao longo do tempo para apoiar a linguagem e a cognição de nível superior.

Promoção Evolutiva: Por que o Cérebro Reutiliza Estruturas

Lakoff, um linguista especializado em ciências cognitivas, e Narayanan, um pesquisador de IA do Google DeepMind, argumentam que a evolução tende a reutilizar estruturas existentes em vez de inventar estruturas inteiramente novas. Os primeiros cérebros concentravam-se principalmente no controle motor – ações como agarrar, alcançar e mover-se. Desenvolvimentos posteriores, como a linguagem e o pensamento abstrato, teriam aproveitado essas vias neurais existentes. Isto significa que as mesmas regiões cerebrais envolvidas no movimento físico também são essenciais para a linguagem e o pensamento conceitual.

Os autores ilustram isso apontando como até mesmo conceitos abstratos são frequentemente enquadrados em termos físicos. Dizemos que estamos “nos apaixonando”, que os regimes “caem” do poder ou que as ideias “se consolidam”. Estas metáforas não são apenas atalhos linguísticos; Lakoff e Narayanan argumentam que eles refletem a maneira subjacente como o cérebro estrutura o pensamento.

Da ação à abstração: como o cérebro fragmenta a realidade

Essa ideia ressoa quando se considera como o cérebro aprende. Bebês e animais desenvolvem compreensões fundamentais de conceitos como “para cima” e “para baixo”, “força” e “resistência” – todos enraizados na experiência física. Esses conceitos são então mapeados em ideias mais complexas por meio de metáforas. O cérebro divide comportamentos complexos e linguagem em pedaços gerenciáveis, refletindo a maneira como executamos ações fisicamente (alcançar, agarrar, beber) ou construímos frases (sujeito-verbo-objeto).

Desafios e pesquisas futuras

Testar essas hipóteses continua difícil. Um mapa completo neurônio por neurônio do cérebro humano ainda está a décadas de distância, tornando a validação direta um desafio. Os autores propõem modelos teóricos de circuitos, mas a prova concreta exigirá avanços tecnológicos significativos.

Apesar das afirmações ambiciosas, The Neural Mind sofre de problemas significativos de legibilidade. A escrita é desconexa, repetitiva e muitas vezes obscurece em vez de esclarecer. Como observa o revisor Michael Marshall, o livro é “doloroso de ler”. No entanto, as ideias centrais apresentadas são suficientemente convincentes para justificar uma consideração séria, apesar da má execução.

A tese central do livro – que os nossos cérebros reaproveitam antigos circuitos motores para o pensamento moderno – é um argumento poderoso para o quão pouco entendemos sobre a verdadeira natureza da consciência. É um lembrete de que o que parece ser pensamento abstrato pode na verdade ser uma forma altamente evoluída de experiência incorporada.