Saúde mental masculina: por que a depressão pós-parto nos pais é negligenciada

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A celebração anual do Dia Internacional da Mulher (8 de Março) sublinha uma questão mais ampla: a consciência da sociedade sobre as disparidades na saúde mental. Embora o IWD pretenda destacar os desafios enfrentados pelas mulheres, a atenção comparativamente menor dada ao Dia Internacional do Homem (19 de Novembro) revela um ponto cego teimoso na forma como abordamos o bem-estar mental dos homens.

O silêncio em torno das lutas dos homens

Apesar do progresso na desestigmatização da saúde mental nas últimas décadas, os homens continuam a subnotificar os seus problemas. As mulheres são estatisticamente mais propensas a discutir abertamente a sua saúde mental, uma disparidade enraizada nas expectativas culturais em torno da masculinidade. Este silêncio não se trata apenas de relutância; trata-se de uma falha sistêmica em reconhecer e validar as condições de saúde mental masculina.

Depressão pós-parto em homens: uma crise oculta

Um exemplo notável é a baixa consciência da depressão pós-parto nos pais. Quase 40% das pessoas não sabem que os homens podem sofrer desta condição, uma estatística que reflete visões desatualizadas sobre a paternidade. Embora o parto seja legitimamente reconhecido como transformador para as mães, os pais são frequentemente tratados como figuras secundárias no processo. A suposição errada de que os homens não podem sofrer porque as mulheres sofrem mais cria uma perigosa falsa dicotomia.

A saúde mental não é um jogo de soma zero. Ignorar a depressão masculina não alivia o sofrimento feminino; deixa os homens isolados e sem tratamento.

Como a depressão masculina difere

A depressão masculina muitas vezes se manifesta de forma diferente da das mulheres, apresentando-se frequentemente como retraimento, irritabilidade ou comportamento imprudente, em vez de tristeza evidente. Isso torna mais difícil a identificação, mesmo para quem está familiarizado com problemas de saúde mental. A chave é reconhecer que os sintomas variam e que os homens podem não se enquadrar na imagem estereotipada da depressão.

Indo além da consciência

A sensibilização através de eventos como o Dia Internacional do Homem é um ponto de partida, mas é insuficiente. Os sistemas de saúde devem priorizar a saúde mental da mesma forma que a saúde física. Isto significa uma melhor formação para os profissionais médicos, um maior financiamento para os serviços de saúde mental e uma mudança cultural no sentido de validar as experiências dos homens sem julgamento.

Em última análise, abordar a saúde mental masculina exige reconhecer que ela existe, compreender como se apresenta de forma diferente e garantir que existam sistemas de apoio para todos os géneros.