A Comissão Federal de Comunicações dos EUA detém as chaves do cosmos. E agora, isso está transformando-os.
Uma única agência pode dar luz verde a projetos massivos de voos espaciais. Estas não são pequenas experiências. São operações em escala industrial. E têm o poder de alterar completamente a visão do céu noturno em todo o mundo.
O clamor dos astrônomos é alto. Os ambientalistas estão alarmados. Mas os especialistas em direito espacial são contundentes quanto à realidade: há muito pouco que o resto do mundo possa fazer. Se a FCC conceder uma licença, os organismos internacionais serão em grande parte impotentes para impedi-la.
O espelho no céu
Considere o caso do Reflect Orbital. No dia 10 de julho, a agência aprovou um voo de teste.
O plano? Lance um espelho espacial de 59 por 59 pés. Isso é aproximadamente 18 metros por 18 metros. Refletiria a luz solar nas fazendas solares da Terra após o anoitecer. Parece eficiente, certo?
Talvez.
Para os astrônomos, parece poluição. A preocupação não é apenas o teste. É o que vem a seguir. Os oponentes temem que esta aprovação sinalize a disposição da FCC de licenciar uma constelação inteira. Cinquenta mil espelhos refletores do sol em órbita.
Pense nesse número. Cinquenta mil.
E o Reflect Orbital não está sozinho. Empresas como SpaceX, Blue Origin e Starcloud estão esperando nos bastidores. Suas aplicações envolvem enormes frotas de data centers em órbita e satélites que transmitem internet.
Se cada um desses projetos for aprovado, o céu noturno que conhecemos desaparecerá. Isso mudará além do reconhecimento. Para todo o planeta.
Um vácuo legal
Isso nos leva ao problema central. A tecnologia está avançando mais rápido que as regras.
O Tratado do Espaço Exterior das Nações Unidas foi assinado no final da década de 1960. Ele estabelece a estrutura para o uso do espaço. Uma regra fundamental: as aprovações pertencem ao país onde o satélite está registrado.
Uma fonte familiarizada com o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA) observou que o número de satélites lançados no espaço é uma prerrogativa daquele país de origem. Período.
Os estados de lançamento são responsáveis por danos físicos. Uma colisão no espaço? Isso é culpa deles. Uma nave espacial caindo e destruindo uma casa? Também neles.
Mas e a luz?
Ruskin Hartley, CEO da DarkSky International, é claro. A interferência óptica provavelmente não conta como “dano” segundo o tratado. Se um espelho reflecte a luz solar e cega um telescópio, o tratado não oferece uma solução.
“Não foi testado, mas a maioria das pessoas não acha que esse dano se estende à interferência óptica”, disse Hartley.
O tratado afirma que a exploração espacial deve beneficiar todos os países. Mas o que acontece quando não há consenso sobre o que constitui um “benefício”? Ninguém sabe. A linguagem é vaga. As lacunas são amplas.
Os comités da ONU como o COPUOS são lentos. Eles exigem consenso unânime. Consenso unânime na ONU? Cru. Quando terminarem o debate, a SpaceX terá lançado milhares de satélites a mais.
Movimentos unilaterais
Este não é um comportamento novo.
Robin J. Frank, ex-assessor jurídico da NASA e especialista em direito espacial, aponta o padrão. Os EUA frequentemente promovem a sua agenda independentemente da preocupação global.
Faça a comunicação direta com a célula. A FCC aprovou sistemas que usam frequências de rádio não autorizadas para conectar satélites a telefones. Sua justificativa? Dando uma vantagem à indústria dos EUA.
Os EUA controlam cerca de 25% do PIB global. Historicamente, evita mecanismos internacionais vinculativos que restrinjam as suas ações. China e Rússia? Atitude semelhante.
Os EUA nem sequer fazem parte do Acordo de Paris. No entanto, regula o espaço aéreo global a partir de uma única mesa.
O ponto cego ambiental
Aqui está o chute. A indústria de satélites está isenta da Lei de Política Ambiental Nacional (NEPA) dos EUA.
A NEPA geralmente exige que as agências avaliem os impactos ambientais. Aqui não. A isenção remonta à década de 1980, quando os lançamentos eram raros. Hoje, os lançamentos são frequentes. A regra está desatualizada.
DarkSky International processou a FCC. Eles argumentaram que a SpaceX precisava de uma revisão ambiental antes de lançar dezenas de milhares de satélites. O tribunal rejeitou o argumento.
Mas Hartley ainda não terminou. Se a FCC aprovar a constelação completa de 50.000 espelhos, a DarkSky provavelmente irá processar novamente.
Proibindo os espelhos? Possível, mas ineficaz. Nações individuais poderiam proibi-los de irradiar luz em seu território. Multas, ameaças, o que for. Mas os satélites ainda refletirão a luz enquanto orbitam. A poluição permanece.
O que se perde
As apostas são altas. Os astrónomos do Observatório Europeu do Sul modelaram recentemente o céu futuro.
Se todas as constelações planeadas forem implementadas, o brilho do céu poderá aumentar em 300 por cento. Três vezes mais brilhante.
Isso acaba com a astronomia como a conhecemos. Perdemos as estrelas. Perdemos a história escrita no escuro.
Além da ciência, existem perdas mais profundas.
As comunidades indígenas dependem do conhecimento das estrelas para a herança cultural. Essa conexão é interrompida quando o céu fica ofuscado. Os animais dependem da escuridão. A luz artificial confunde os ecossistemas. O impacto é biológico, não apenas astronômico.
Depois, há a própria atmosfera.
Lançamento de foguetes. Os satélites entram novamente. Isso cria poluição do ar. Pesquisas sugerem que isso pode danificar a camada de ozônio. Poderia alterar o equilíbrio térmico da Terra. Os gases de efeito estufa provenientes da fabricação e dos lançamentos podem anular quaisquer ganhos de eficiência dos data centers em órbita.
“Isto é mais do que apenas uma questão de nicho para os astrônomos. Esta é uma questão que afetará a qualidade de vida de todos na Terra”, disse Hartley.
A solução? Provavelmente legislativo. Ou uma administração disposta a impor mudanças.
A atual administração não está fazendo isso. O quadro regulamentar apresenta lacunas enormes. Os empresários estão explorando-os.
Ficamos vendo o céu escurecer, não com estrelas, mas com infraestrutura corporativa. E a lei? A lei ainda está adormecida na década de 1960.

































