Vesto Slipher não estava procurando o Big Bang quando começou a fazer anotações em 1912. Ele estava apenas tentando descobrir a rapidez com que as nebulosas espirais – o que hoje chamamos de galáxias – se moviam. Mas as suas observações sistemáticas das suas velocidades radiais entre 1912 e 1925 fizeram algo muito mais radical. Ele descobriu que eles estavam fugindo de nós. Esta não era apenas uma mecânica celestial peculiar. Foi a primeira evidência sólida de que o próprio universo está em expansão.
Nascido em uma fazenda perto de Mulberry, Indiana, em 11 de novembro de 1875, o caminho de Slipher até as estrelas foi pavimentado com rigor acadêmico. Ele não se dedicou apenas à astronomia. Ele obteve seu bacharelado. em 1901, um mestrado em 1903 e um doutorado. em 1909 pela Universidade de Indiana. Mesmo assim, seu coração profissional bateu em Flagstaff, Arizona. Em 1901, juntou-se à equipe do Observatório Lowell. Ele voltava ocasionalmente para Indiana para estudar, mas o ar do deserto do Arizona tornou-se seu lar. Em 1916, ele era diretor interino. Em 1926, ele conquistou oficialmente o título.
Seu trabalho em Lowell foi muito além dos redshifts que acabariam por reescrever a cosmologia. Slipher era um mestre em análise espectral. Ele olhou para a luz de Júpiter, Saturno e Netuno e identificou faixas escuras de absorção em seus espectros. Estes não eram apenas padrões bonitos. Eles revelaram as impressões digitais químicas das atmosferas desses planetas. Ele identificou constituintes que estavam escondidos à vista de todos.
Ele também abordou os mistérios das nebulosas difusas – vastas nuvens de poeira e gás flutuando no vazio. Antes de Slipher, o brilho deles era um mistério. Eles geraram sua própria luz? Não. Ele provou que elas brilhavam refletindo a luz de estrelas próximas. Ele mapeou as radiações brilhantes do próprio céu noturno, rastreando suas flutuações de intensidade. Ele mostrou que o sódio e o cálcio não estão confinados a estrelas específicas, mas estão espalhados por todo o espaço interestelar.
A meticulosa coleta de dados de Slipher criou a base para tudo o que se seguiu. Seus esforços ajudaram a determinar os períodos de rotação de vários planetas. Mas a sua contribuição mais famosa continua a ser a medição da velocidade das galáxias espirais. Quando Edwin Hubble utilizou mais tarde os dados de Slipher para correlacionar a distância com a velocidade, as implicações foram explosivas. O cosmos não era estático. Estava se alongando.
Em 1930, Slipher organizou e orientou a busca que levou à descoberta de Plutão. Esse feito culminou em uma carreira definida pela precisão. Ele morreu em 8 de novembro de 1969, em Flagstaff, apenas três dias antes de completar 94 anos. Ele passou a vida olhando para a luz, decodificando seus segredos e revelando acidentalmente a natureza dinâmica da existência.
Por que ainda falamos sobre ele? Porque antes de Slipher, a maioria dos astrónomos pensava que as galáxias eram ilhas estacionárias num vazio fixo. Ele nos deu a moção. Ele nos mostrou que o espaço em si não é um palco, mas sim um ator. A questão agora não é se o universo está se expandindo, mas quão rápido ele irá. Slipher forneceu a primeira página dessa resposta.
























